um diário dos dias inúteis
22
Fev 12
publicado por desempregado freelancer, às 10:50link do post | comentar | |
Vazio

 

Sim, existe actividade. Os órgãos involuntários mexem, o estômago dá horas, os dedos acariciam as teclas. Mas há uma espécie de sonolência, sabes?, um sono que se apodera da alma e não a deixa viver a vida. Um género de coma que me tolhe e me confina ao espaço de um sofá, sem vontade para mais do que te escrever estas miseráveis linhas. É um autismo semi-voluntário aquele que vivo, uma realidade construída em alicerces de barro, na qual me movo sem olhar em volta. As coisas começam a deixar de interessar. Notícias, opiniões, conselhos... tudo paira à minha frente numa espécie de limbo translúcido e dá-me a impressão de que, se quiser tomar contacto com a tua realidade, a dos vivos, terei que me aventurar a passar a camada gelatinosa que dela me separa. Perguntas-me porque não faço algo, porque não saio, porque não ligo aos amigos. Perguntas simples devem originar respostas simples? Nem por isso. A verdade é que não me apetece fazer seja o que for, não tenho para onde sair, e os amigos, bom... os amigos são para as ocasiões, não é?, para as ocasiões em que estamos de bem com a vida, divertidos, lúcidos ou não, mas sem problemas. Os amigos têm telefones mágicos que rejeitam chamadas de quem nada tem a dizer. Recordas um escrito de há alguns anos, do tempo em que eu era um tipo mais ou menos bem sucedido, um escrito em que eu perguntava às pessoas se realmente encaminhavam os pedidos de emprego dos que a elas recorriam? E explicava-te que é o mínimo que podemos fazer, se trabalhamos, conhecemos gente, se conhecemos gente, podemos enviar um currículo de alguém que quer trabalhar, e dizia-te que lamentavelmente isso é raro. E dizia-to sem saber ainda o quão raro eu era. E agora, o sono, este sono de um cansaço de transportar o mundo aos ombros, um cansaço de procurar uma explicação para tudo isto, uma culpa, minha ou de outrém, que interessa encontrar culpado. O que fiz? O que me fizeram? Sonhos de conversas passadas, reuniões, encontros, o que foi dito, a forma como foi dito, sobretudo isso, a forma... terá sido por isso?, terá sido por outra coisa?, será realmente a crise a culpada de tudo isto, ou trata-se apenas de um erro, meu, teu, de outro qualquer? O sono de nada fazer, de perder a vontade de fazer. O respirar lento e o bater das teclas, nada mais.


como eu compreendo estas palavras...
luna tic a 22 de Fevereiro de 2012 às 13:57

Olá desempregado freelancer.  Eu tabém sou uma desemoregada freelancer. Integrei este mês um movimento que precisa de pessoas como tu. Somos um grupo de trabalhadores que alterna a sua condição entre o desemprego, o sub-emprego ou a precariedade, e estamos empenhados na criação de um movimento para o combate político e para a defesa dos nossos direitos.
Vamos fazer o terceiro plenário já esta terça-feira e integrar a manifestação de dia 22 de março, dia da greve. Junta-te a nós.
ana a 18 de Março de 2012 às 22:18

O nome do movimento é movimento sem emprego 'mse'.
ana a 18 de Março de 2012 às 22:19

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